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Reconexão

Reconexão

Para Inspirar

As indesejadas crises são sempre um convite...a no mínimo sentir desconforto. Ninguém está habilitado a vê-las como oportunidade. Os que veem hoje, talvez não enxerguem amanhã. É quase como uma loteria. Há uma série de fatores que determinam se estamos preparados ou não para aproveitar uma onda grande dessas. Às vezes só nos damos conta do que poderíamos ter feito depois que o mar amansa outra vez.

Lembro que no ano passado, quando dei uma palestra logo que voltei de viagem, algumas pessoas se acercaram se colocando à disposição caso eu precisasse, caso eu me sentisse mal, triste ou deprimido por retornar depois de tanto tempo surfando um grande sonho. Agradeci mas não dei tanta atenção porque apesar dos desvios do caminho, entendi que parar de viajar por um tempo era parte do meu caminho e era necessário por uma série de outras questões que ainda estou entendendo. E que deixar a viagem não significava abandonar meu sonho. Foi uma escolha consciente que eu vinha bancando até agora há pouco.

Claro que tive uma turbulência aqui, outra ali, mas consegui preservar hábitos que adquiri na estrada e criei um ecossistema onde eu vivia de maneira que me fazia sentido, me adaptando às limitações e “ilimitações” que uma cidade como São Paulo oferece e sofrendo bem menos do que as pessoas ao meu redor imaginavam. Redefiní e reciclei o que era importante e, com altos e baixos, fui me encaixando à minha maneira.

Como planejado, decidi me dedicar às memórias de viagem, começando a escrever um livro e também passei a me envolver mais com o universo da estrada e da aventura o qual passei a fazer parte nos últimos anos. A ideia do livro não veio porque quero me tornar um escritor, ela é fruto deste caminho e uma ferramenta para assimilá-lo. Com o apoio de alguns amigos, desenferrujei as minhas habilidades como editor, cinegrafista e jornalista e consegui criar uma rotina onde eu trabalhasse apenas o necessário e pudesse ter tempo - algo que me acostumei nos últimos anos. Consegui um apoio para o meu livro, vinculado à experiência de co-criar um curso de mecânica de bicicleta voltado à cicloviagens. Tudo de um jeito ou de outro fluindo: trabalho, aventura, bicicleta e tempo para escrever.

A Covid-19 chegou enquanto passava um tempo no litoral escrevendo, após ter feito caixa para ficar umas semanas sem trabalhar. E a crise chegou, o curso de mecânica foi suspenso, os trabalhos desapareceram e a inspiração também foi embora. Para atravessar essa tormenta, voltei para São Paulo em busca de simplificar ainda mais a minha vida, o que de verdade não é um grande desafio para quem já viajou de bicicleta. Mas nem eu, nem ninguém estava preparado para viver os dias que estamos vivendo. Sem trabalho, com as economias minguando e inalando todo esse sofrimento global, essa angústia nacional e entrando em confinamento, eu tomei, com seis meses de atraso, aquele tapa na cara que aquelas pessoas me alertaram em novembro do ano passado.

Desmoronei, me desconectei e perdi aquele brilho, aquele equilíbrio que tinha virado modo operante. Tive uma série daqueles dias onde não há forças para sair da cama, sem direção para onde seguir com a impossibilidade de sair de casa. Sem entender o que estava acontecendo comigo, com as pessoas, com o mundo. A porrada veio com força e sem perceber fui à lona. Mas não a nocaute. Aprendi a apanhar. E a bater também.

Algumas semanas antes de eu decidir voltar a morar com a minha mãe, ainda lá na praia, tive uma reunião via videochamada com os responsáveis por este blog. Apresentei o meu projeto literário e eles decidiram entrar comigo nessa aventura, atropelando até algumas necessidades e prioridades que eles tinham.

Tendo em mente as necessidades deles e alerta com as que eu teria dentro de algumas semanas, coloquei a câmera no tripé na minha sala, fiz a iluminação, armei um cenário improvisado e liguei para o meu amigo Elias, dono do portal Extremos e perguntei se ele topava ser cobaia de um experimento. Gravei uma entrevista, editei e mandei para a SPOT. Eles abraçaram a ideia. E me abraçaram outra vez. Nascia o Conexão Outdoor, um talk show virtual com nomes importantes da aventura brasileira. Eu supriria uma necessidade deles e eles uma minha. Mas era mais que um acordo profissional. E eu sempre soube disto. O segundo programa foi ao ar há poucos dias. Foi uma entrevista com o Gustavo Ziller, um barbudo que se assemelha com a ideia que temos de Moisés, porque tem barba branca, fala de fé, sobe montanhas e exala sabedoria. Mas é mais gente fina porque tem tatuagens, apresenta um programa no Canal OFF, gosta de música e cultiva uma vida saudável, sustentável e natural.

O papo de 1h que rendeu um programa de 23 minutos foi pra lá de inspirador e me ajudou abrir aquele mar vermelho onde eu me afogava. Ele disse coisas simples, que eu já sabia. E as desbloqueei. Outras que eu não sabia e me joguei nelas, como sobre fast learnings entre outras. Não vou dar spoilers, apenas convido para clicar no link abaixo para assistir o EP2 do Conexão Outdoor.



 

Curiosamente apenas pude me reconectar comigo mesmo depois que entrevistei o Ziller e passei dias editando e escutando dezenas de vezes sua entrevista. Ontem, cerca de dois meses depois eu conseguiria abrir o documento onde redijo o meu livro para reler e voltar a escrever. E então ser lembrado, por mim mesmo, que uma das principais razões para eu ter voltado para o Brasil, era estar aqui... perto da minha mãe.

Se nada disso tivesse acontecido, eu não estaria aqui, onde devo estar.

No dia seguinte da estreia do Conexão Outdoor com o Ziller, recebi um monte de mensagens carinhosas e quase que simultaneamente, sem conexão com o Conexão, três pessoas, uma do Brasil, uma da Turquia e outra da Estônia me escreveram dizendo que acharam o cartão postal que eu havia enviado no ano passado... e passaram só para dar um "Alô". Foi um disparador para eu voltar a olhar para a minha história e para o livro sob a perspectiva de quem venceu aquela crise - a que estava dentro de mim.


E como prêmio por não me dar como vencido, a vida me deu de presente essa última mensagem, que veio hoje cedo da Estônia. Prêmio porque acabei de começar a escrever sobre este país no mesmo dia que me escreveram de lá.

Um sinal claro que reencontrei o meu caminho. 
Até a próxima tempestade.

Obrigado, SPOT, por além de apoiar os meus projetos, fazer parte da minha vida.


 


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Assista aos vídeos que israel produziu em sua viagem de volta ao mundo de bicicleta aqui em nosso canal do YouTube.