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Como é Quebrar o Braço Numa Trilha?

Como é Quebrar o Braço Numa Trilha?

Parcerias

Foi no ponto mais tranquilo de uma trilha desafiadora que levei um escorregão e caí "da minha própria altura", como repetem os médicos. "Fratura total do rádio", significa que um dos dois ossos do antebraço quebrou de fora a fora.
 
Nos últimos meses havíamos visitado parques com longos trajetos de carro e trilhas curtas. Lindos e importantes, mas andar de carro nos cansa mais que longas caminhadas, acredite.
 
Chegamos à Chapada Diamantina animados com planos de ficar 5-6 semanas ao invés de 2 de costume. Afinal, há quem diga que há 10 mil km de trilhas por lá (a informação oficial aponta 300km, que já é de animar qualquer montanhista).
 Leticia-e-Dennis,-do-Entre-Parques-Brasil,-em-uma-elevacao-rochosa-na-Chapada-Diamantina-(2).jpg
Lavamos o carro por dentro e por fora pela primeira vez em mais de 6 meses. Havia dois formigueiros, poeira e areia do Nordeste todo, teias de aranhas de várias espécies. Estacionamos com a intenção de usá-lo só no dia de ir embora.
 
Saímos de Lençóis a pé com o intuito de voltar depois de 8 dias, combinando travessias, circuitos, trilhas; auto-guiado e com guia; com acampamento selvagem alternada por dias em pousadas. Tudo entre Capão e Lençóis, isso seria só o começo. Voltaríamos para nos reabastecer, mudar de base e sair de novo.
 Dennis,-do-Entre-Parques-Brasil-em-uma-trilha-(1).jpg
Foi no 3º dia, na descida para a cachoeira da Fumaça por baixo, pela desafiadora "fenda" que uma pedra lisa me levou ao chão. Poderia ter sido em qualquer lugar ou qualquer um, era a parte mais fácil, mas pouco usada da trilha. Havíamos caminhado 12km, dos quais 3km em descida íngreme, faltava apenas 1km para o local do acampamento: a "Toca da Diretoria", de frente para a cachoeira.
 
Dizem que quebrar dói: não doeu tanto assim. Mas ver a minha mão esquerda fora do lugar e a cara de susto da Letícia e do nosso guia Rogeer foi preocupante. O que fazer? Autorresgate, quando possível, é sempre a melhor solução, quando não a única. Enquanto um imobilizava meu braço, o outro acomodava minha mochila cargueira num local ao abrigo da chuva, pois o objetivo é sair da trilha em segurança.
 
Ponto para nossa tranquilidade e conhecimento adquirido no curso de primeiros socorros em áreas remotas. Ponto para nosso kit primeiros socorros, sempre na mochila. Autorresgate é trabalho em equipe, o acidentado deve ajudar se tiver condições. Desta vez não usamos nosso SPOT. Usamos todos os dias para mandar sinal de ok, esperamos mesmo nunca acionar o SOS.
 Dennis,-do-Entre-Parques-Brasil,-apos-realizar-o-autorresgate.jpg
Deu pena sair daquele paraíso ao pôr do sol, vendo as três águias chilenas voando sobre nossas cabeças, imaginar como seriam as noites ali. Mas tivemos sorte: foi um braço e não uma perna. Tínhamos tudo (equipamento, conhecimento e confiança) para sair em segurança e de dia. Depois da caminhada de volta de 4h com o braço imobilizado, ainda viajamos mais 2h de carro até o hospital e passamos 2h aguardando o médico.
 
Uma fratura total no rádio que precisou de cirurgia (8 pinos, 12 pontos, 3 semanas de "molho" no total). Não está sendo a visita à Chapada Diamantina com a qual sonhamos, mas cada experiência tem seu motivo. Somos gratos por esta ter sido de gravidade baixa e solução rápida.
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Que nas três semanas que restam possamos ainda conhecer uma parte daquilo que este parque reserva.