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Ascensão ao Vulcão Lanín: Um clássico nos Andes

Ascensão ao Vulcão Lanín: Um clássico nos Andes

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O Vulcão Lanín (3.776m) é uma atração imponente nos Andes, localizado na fronteira entre Argentina e Chile, pertencendo aos Parques Nacionais Lanín e Villarica, respectivamente. Na região, encontramos outros dois vulcões conhecidos: o Vulcão Quetrupillán (2.360m), que ascendemos em 2018, e o Vulcão Villarica (2.860m), onde nossa tentativa de ascensão em 2022 foi frustrada devido à intensa atividade e o risco de aproximação naquele momento.

Entre os três vulcões, o mais ativo é o Villarica, também considerado o mais perigoso do Chile devido a suas erupções recorrentes e o risco para as pessoas que vivem nas áreas próximas, como a cidade de Púcon.

A ascensão ao cume do Vulcão Lanín proporciona uma vista panorâmica da região, é possível avistar o Vulcão Villarrica exalando vapor, contemplar rios de nuvens que se formam entre as montanhas mais baixas, as florestas típicas locais e, em dias claros, até mesmo avistar o Oceano Pacífico.

 

O Vulcão Lanín tem erupções?


Embora não tenha apresentado erupções nos últimos 10.000 anos, os geólogos consideram o Vulcão Lanín como ativo e potencialmente perigoso.

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(Vulcão Lanín) Foto: Arquivo Pessoal
 

Tudo o que você precisa saber para subir o Vulcão Lanín


Eu e meu marido, Gabriel, estamos viajando de Motorhome pelas Américas através do projeto "Vale Liberdade", buscando explorar trilhas e montanhas. Nossa estadia na Patagônia tinha sido projetada para durar 6 meses, mas já ultrapassa um ano! Estamos encantados com a beleza, imponência e desafios da região.

Em 2018, ao subirmos o Vulcão Quetrupillán, nos apaixonamos pelo Lanín, um vulcão majestoso que carrega um toque de misticismo. Ele é sagrado para os Mapuches, povo indígena da região centro-sul do Chile e sudoeste da Argentina, que o chamam de "coração do mundo". Os Mapuches realizam um ritual sagrado de culto à natureza chamado "rewe", dedicado ao Deus Mapuche "Nguenechén".

 

Como se preparar?


Estávamos explorando as belezas da região de San Martín de Los Andes, localizada na icônica rota dos 7 lagos Argentinos. Uma cidade com atividades outdoor em todas as épocas do ano e muito bem estruturada para o turismo, sendo possível alugar equipamentos para a escalada ali mesmo.
 

Transporte


Caso você esteja com seu próprio veículo, a base do Lanín fica a 107 km de San Martín de Los Andes ou a 66 km de Junín de Los Andes, e o estacionamento no parque é gratuito, sendo que se você desejar acampar por lá, o custo é de aproximadamente R$ 20,00.

Existe um ônibus que sai do Terminal de Junín de Los Andes com destino ao Chile.  A base do vulcão fica praticamente em frente à aduana entre os dois países, possibilitando que você peça ao motorista para deixá-lo lá.

Principalmente em San Martin de Los Andes, há muitas agências de turismo que oferecem o serviço de traslado da cidade ao parque. É possível obter informações com as agências pela cidade.

Não tínhamos planejado subir o vulcão, pois era fim de abril (2023), final do outono, o que significa que a montanha ainda não estava coberta de neve o suficiente para uma escalada segura, considerando que os últimos 400 metros de ascensão do Lanín são extremamente íngremes e expostos.


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(Base Vulcão Lanín) Foto: Arquivo Pessoal


Qual é a melhor época para fazer a ascensão?


Caminhar com grampos na neve proporciona uma melhor aderência em relação ao solo vulcânico, que pode ser perigoso devido a avalanches de pedras, deslizamentos e tornar a descida lenta e cansativa.

A melhor época para realizar a ascensão ao Vulcão Lanín é entre os meses de outubro até no máximo o início de abril.

No entanto, estávamos diante da última janela de tempo favorável antes do inverno, e tivemos a sorte de encontrar nossos amigos montanhistas, então não poderíamos perder essa oportunidade! Nosso grupo era formado por 8 pessoas: Gabriel e eu, Gio Manfroi, Ju e Otávio (Di_van), Emanuel Silveira, Victor de Simone e Alan Lima.


É preciso contratar um guia?


No nosso caso, estávamos com um grupo experiente em montanhismo e uso de equipamentos de neve, e Manu, Vitinho e Alan são guias de montanha, o que nos deu mais segurança ainda.

Sempre fico receosa em responder essa pergunta, pois o nível de conhecimento das pessoas varia. Porém, com base em nossa experiência, avaliamos que o Vulcão Lanín é uma montanha técnica, difícil e que exige o uso de equipamentos, portanto, é aconselhável ir com um guia. Mais uma vez, em San Martin de Los Andes e Junín de Los Andes, é possível encontrar agências que oferecem esse serviço.


Quais equipamentos preciso levar?


Antes da subida, é obrigatório registrar-se no Parque Nacional Lanín tanto on-line como presencialmente antes de sair para a montanha e lá eles fazem uma breve avaliação do grupo por meio de perguntas e verificam os itens necessários. Eles são rigorosos, o que já demonstra que a montanha não é lugar para brincadeiras!


Aqui está a lista de itens obrigatórios, independentemente da época do ano:

 
  • Piolets
  • Crampons
  • Capacete de escalada certificado
  • Polainas para neve
  • Bota de trekking impermeável
  • Calça impermeável
  • Óculos de sol, de preferência com proteção lateral
  • Anorak impermeável
  • Luvas impermeáveis
  • Lanterna frontal com pilhas extras
  • Kit de primeiros socorros em uma bolsa com zíper (quem não tinha levou uma séria advertência)
  • Rádio VHF


A ascensão ao Vulcão Lanín


A janela de tempo estava incrível! Sem nuvens, temperatura agradável, mesmo estando a poucos dias do inverno, a temperatura durante o dia estava em torno de 18 graus.


Quantos dias para subir o Vulcão Lanín?


São necessários 2 dias para subir e descer o vulcão. Perguntamos na portaria se era possível estender para 3 dias, mas nos disseram que isso não é possível devido à superlotação de acampamentos e também por questões de segurança.


Onde acampar? É preciso reservar?


Existem dois refúgios antes do cume: o "RIM 26", controlado pelo exército argentino, que possui uma boa infraestrutura com áreas designadas para barracas protegidas por pedras e bem identificadas.

Se você estiver com uma agência, há DOMOS com beliches e aquecimento. Tanto para a ascensão como para usar o acampamento, é necessário fazer um registro prévio gratuito no site do Parque Nacional Lanín.

De acordo com as informações que recebemos, para utilizar os DOMOS é preciso fechar um acordo com as agências e reservar seu espaço de acampamento no site.

O segundo acampamento é o "CAJA", localizado mais acima, e seria a melhor opção para encurtar o ataque ao cume. Porém, esse refúgio tem uma estrutura menor, com espaço para 4 a 6 pessoas, e seu uso requer fazer parte do Clube Andino.


Floresta ainda com as lindas cores do Outono
(Floresta ainda com as lindas cores do Outono) Foto: Arquivo Pessoal


O primeiro dia é uma caminhada pouco técnica e bastante contemplativa! Partimos da base do vulcão (1.160m) em direção à primeira subida, conhecida como Espina del Pescado. Ao chegarmos a uma altitude de 1.714m, o trecho até o acampamento RIM 26 (2.262m) começa a ficar mais íngreme, e a cada metro que subimos, a vista fica cada vez mais impressionante!

Ganhamos cerca de 1.500m de altitude, que superamos em aproximadamente 6 horas.


Início da Espina del Pescado
(Início da Espina del Pescado) Foto: Arquivo Pessoal


Paramos no acampamento, montamos nossas barracas e tiramos um tempo para apreciar a vista! Podíamos observar a trilha e a inclinação que nos aguardava no dia seguinte atrás de nós, e à frente, vários outros vulcões, como o Quinquiili e Llaima.


Vista Refúgio RIM 26
(Vista Refúgio RIM 26) Foto: Arquivo Pessoal


Passar esse tempo junto à montanha é muito especial, permitindo-nos viver o presente, compartilhar boas histórias e momentos com os amigos, e criar memórias especiais.


Vista Refúgio RIM 26
(Refúgio RIM 26) Foto: Arquivo Pessoal

Jantar no Refúgio RIM 26
(Jantar no Refúgio RIM 26) Foto: Arquivo Pessoal


Depois de nos reunirmos para jantar, estabelecemos nossa meta para o dia seguinte! A partir do minuto que o sol se põe a temperatura baixa drasticamente, chegando ao negativo.


Sombra do Vulcão Lanín nos últimos minutos de luz do dia
(Sombra do Vulcão Lanín nos últimos minutos de luz do dia) Foto: Arquivo Pessoal


O ataque ao cume:


Acordamos às 3 da manhã, sabendo que seria um dia realmente longo.

Preparamos nossas mochilas com o essencial para o ataque ao cume e equipamentos de emergência, como um saco de dormir, caso alguém precisasse (e realmente precisou).

O frio era intenso e a noite era de lua nova, proporcionando uma escuridão densa, porém estrelada. A natureza nos presenteou com a visão de 2 estrelas cadentes rasgando o céu de lado a lado.

Saímos do refúgio RIM 26 (2.262m) e seguimos para a primeira parada no refúgio CAJA (2.601m), onde fizemos uma pausa para tomar nosso café da manhã. Infelizmente, Gabriel não estava se sentindo bem desde a noite anterior, talvez por algo que tenha bebido na água, e ele decidiu abortar a subida ali. Alguns escaladores estavam partindo para o cume, e Gabriel conversou com eles, que gentilmente cederam um espaço para ele ficar. Com o saco de dormir que tínhamos, ele conseguiu ficar confortável enquanto seguimos em direção ao cume.


Café da manhã no refúgio CAJA
(Café da manhã no refúgio CAJA) Foto: Arquivo Pessoal


A partir do CAJA, entendemos o verdadeiro grau técnico da subida. O terreno era muito acidentado, com grandes rochas vulcânicas que, à medida que subíamos, se tornavam cada vez menores, dando a sensação de estar caminhando com patins. Por isso, subir o Lanín com neve pode ser uma experiência mais tranquila.

Nossa última parada para descanso foi em cerca de 3.500m de altitude. A guarda-parque na portaria havia solicitado que não parássemos entre 3.300m e 3.400m devido ao alto índice de desprendimento de pedras, e de fato, vimos muitas pedras rolando.

Por volta das 8h30min, chegamos ao cume! Ali, é possível entrar em contato com a geleira que ainda permanece na cratera e escorre para os lados, principalmente ao sul.

Atravessamos a cratera do Lanín, passando por algumas fendas abertas e alcançamos o ponto mais alto, a 3.776m!


Cratera Vulcão Lanín
(Cratera Vulcão Lanín) Foto: Di_Van


A vista era esplendorosa, e é difícil expressar em palavras toda a beleza que se desdobrava diante de nossos olhos. Permanecemos ali, aproveitando o momento e agradecendo por mais um cume maravilhoso.


Cume do Vulcão Lanín
(Cume do Vulcão Lanín) Foto: Di_van
 
Vulcão Villarrica expelindo vapor ao fundo
(Vulcão Villarrica expelindo vapor ao fundo) Foto: Di_van


E é claro que o cume é apenas metade do caminho! Agora, era hora de descer, desmontar o acampamento e retornar à base. A descida inicial, saindo do cume, era extremamente íngreme.

Na semana anterior à ascensão, eu havia completado minha primeira maratona em montanha, então meu corpo estava cansado, e acabei sofrendo um estiramento no tendão colateral após uma pisada em falso.

Com o corpo aquecido e o objetivo de sair da montanha, seguimos em frente normalmente, mas a recuperação foi um pouco chata.

Encontramos Gabriel no CAJA, descemos para desmontar o acampamento e seguimos felizes pelo feito! Chegamos ao carro novamente por volta das 18h.

A vantagem de morar em um Motorhome é que nossa casa estava no estacionamento, com uma cerveja gelada e um banho quente esperando por nós.


 
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