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O Poder da Tomada de Decisões

O Poder da Tomada de Decisões, por Juliana.

Para Inspirar

A grande maioria das pessoas, com a pandemia, teve que dar uma reestruturada no dia-a-dia, nos negócios, na vida e com a gente não tem sido diferente.

Como vocês puderam conferir, nós ficamos 8 meses viajando pelo Brasil. E por coincidência ou não (acreditamos que nada é por acaso),  um pouco antes de começar a se falar em pandemia nós tínhamos decidido parar a viagem por um período de 6 meses a 1 ano, a princípio para trocar o carro pois achamos que o nosso carro/casa estava pequeno para nossa família que é bem atípica e cheia de necessidades especiais. 


Nós vendemos a nossa saudosa Dolores, nome carinhoso que demos a nossa Toyota bandeirante 1995  e o Camper que é uma espécie de trailer que se acopla sobre a caçamba da caminhonete. Então compramos, em um leilão em Belo Horizonte - MG, um caminhão F-4000 4x4 ano 2009 que até então trabalhava em uma mineradora e agora iríamos montar um motorhome e levá-lo para conhecer novos ares.

Nossa principal fonte de renda nos últimos anos foram as palestras (eventos corporativos para empresas) e filmagens que vínhamos fazendo, produzindo conteúdo para TV e algumas marcas. Só que de um dia para o outro com o início da pandemia tudo isso parou e a nossa receita acabou não vindo mais. Começamos a passar por um período bem conturbado (uns 2 meses mais ou menos) onde ficamos bem indecisos em qual caminho deveríamos seguir, pois cada escolha traria uma consequência enorme nos nossos planos iniciais.

Mas como diz aquele velho ditado, enquanto uns choram outros vendem lenços, e começaram  a surgir algumas oportunidades de “vendermos lenços"  na nossa área de formação, que é a construção (somos Engenheiros Civis), pois esse mercado, com a baixa dos juros  começou a aquecer bastante. Porém se optássemos por retomar as atividades na construção civil a nossa ideia de rodar o Mundo nos próximos anos teria que aguardar um pouco mais. Nós começamos a ficar bem angustiados, sem saber o que fazer. Se ficássemos com a parte da construção civil teríamos que parar de viajar e por outro lado se ficássemos esperando a data de partida da viagem estaríamos deixando oportunidades passarem e vendo nossa reserva financeira indo embora.

Aí acabamos tomando uma decisão: parar, pelo menos por enquanto, de viajar. A gente não vai ficar viajando direto, morando no carro, até porque se ficássemos com este sentimento de angustia esperando tudo melhorar para retornarmos a viagem, o que aparentemente era um problema de meses, já vem se estendendo por um ano e ainda não sabemos ao certo mais quanto tempo levará para o mundo estabilizar novamente e estaríamos ainda um olhando para o outro aguardando a hora de voltarmos para a estrada.


Abraçamos a oportunidade que surgiu na construção civil e que está sendo algo muito promissor pra nós. Em paralelo estamos trabalhando em um projeto para construção da nossa casa, porém neste momento uma casa sem rodas, mas que além de ter 100% de acessibilidade para mim , vai ter uma grande garagem para nosso motorhome (vocês vão poder acompanhar em breve o andamento da construção). Nessa nova fase acabou nos sobrando um pouco mais de tempo para focarmos em fortalecer o Instituto Montanha pra Todos para que cada dia mais e mais pessoas com necessidades especiais tenham contato com a natureza e isso tem sido motivador para nós.

Estamos muito mais leves agora que tiramos aquela angústia de não saber o que fazer e daquela indecisão de saber se estamos ou não, indo para o caminho certo.
De toda essa situação que aconteceu com a gente, podemos tirar a conclusão de que quando você toma uma decisão independe de ela ser certa ou errada, essa tomada de decisão te alivia e as coisas começam a fluir. Isso nós podemos falar com propriedade pois não é de hoje que estamos acostumados a buscar oportunidades onde só se vê desgraça, tentar adaptar o que as pessoas julgam impossível e buscar superar desafios, mas no agito da situação estávamos nos perdendo.

Algo muito interessante que percebemos é que viajar para nós tinha um sentimento de liberdade, poder fazer o que quer e a hora que quer, fugir um pouco da realidade, esquecer dos problemas, mas acabamos percebendo que a nossa liberdade não está só na viagem mas ela pode estar também aqui dentro de casa. Eu hoje em dia como vocês já sabem, utilizo alguns equipamentos como cadeira de rodas e andador para me locomover e devido a várias limitações de projeto não consigo ir ao banheiro ou à cozinha sozinha e no projeto que nos propusemos a fazer da nossa futura casa eu poderei fazer tudo isso e muito mais sem auxílio de ninguém. Você não precisa estar viajando para ser livre, mas se você pode ir sozinho ao banheiro quando bem entende se considere uma pessoa livre e para de querer só o que você não tem 😉.

Nesses 5 anos da minha doença e com todas as adaptações no percurso , nessa nova fase só aconteceram coisas boas: Vários projetos pessoais surgiram, o Instituto Montanha para Todos cresceu, o Ben está crescendo cada dia mais arteiro, trocamos nosso motorhome por um maior e mais novo, a nossa nova casa agora será acessível e eu pouco a pouco venho melhorando e estou conseguindo fazer muito mais coisas do que fazia.
O Gui voltou para a construção civil e eu tomei uma decisão de me desafiar ainda mais, estou cuidando das nossas redes sociais e agora também escrevendo aqui para vocês.


Sentimos que estamos no caminho certo, mas se lá na frente percebermos que não era bem isso, sentamos, conversamos e tomamos uma nova decisão sem nos arrepender do que passou.
Nós devemos mudar a nossa vida buscando a felicidade.
Tomar uma decisão nunca é fácil, mas pode ser que ela mude a sua vida. Pense nisso!
 
Jú, Montanha para Todos