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Travessia Em Lava de Karina Oliani Entra Para o Guinness World Records

Travessia Em Lava de Karina Oliani Entra Para o Guinness World Records

Notícias

"Karina Oliani cruza uma distância total de 100,58 m (+ 329 pés) e realiza a travessia tirolesa mais longa do mundo sobre um lago de lava", diz uma parte da legenda compartilhada pelo Guinness World Records.

Não foi recentemente que consegui realizar um sonho e cruzar o maior lago de lava da Terra. Mas foi esse mês, no último dia internacional das mulheres que o Guinness me avisou que esse feito da expedição ao lago de lava do vulcão Erta Ale na região Afar, na Etiópia, havia finalmente sido registrado como um Recorde Mundial.
 
Mas quem me conhece sabe que o que me atrai mesmo é um desafio ousado. Um dos maiores inclusive foi escolher e encontrar os equipamentos necessários pra isso. Levei meses e meses pra conseguir a permissão do governo pra poder realizar a travessia. O planejamento foi intenso para minimizar os riscos. Se meu corpo superaquecesse e eu desmaiasse, ou tivesse as mãos queimadas, não seria possível puxar a outra corda.
 
Fui até o Canadá, encontrar pessoalmente Frederick Schuett, um dos maiores especialistas de ancoragem do mundo, para combinar todos detalhes e planejamento da expedição. Os equipamentos foram cuidadosamente escolhidos para aguentar temperaturas extremas.
 
Antes de embarcar, eu não contei e nem quis dividir os detalhes do que estava prestes a fazer com a minha família.
Sabia que isso não os agradaria e nem deixaria ninguém tranquilo. Mas claro, que se eu chegasse lá e não julgasse seguro o sistema, eu não me lançaria sobre um lago de lava pra morrer frita.
 
Eu e minha pequena equipe caminhamos pelo vasto deserto de Afar. Que lugar único! Paramos em um pequeno vilarejo onde nos seria entregue o papel que continha meu passaporte pra travessia. O senhor estava com ele na mão e quando perguntou pro nosso guia "quem vai atravessar"? Meu fotógrafo, cinegrafista e o Frederick olharam e apontaram na minha direção - a única mulher presente para o absoluto espanto dele.
 
E aí a reação do senhor foi engraçada, ele ficou falando na língua local sem parar, completamente indignado. Dava pra ver na sua face que aquela resposta não era a que ele esperava. E por isso, por alguns breves minutos eu achei que tínhamos posto em risco aquela autorização que tanto me custou conseguir.
 
Mas meu guia foi falando com ele na língua local e os ânimos foram se acalmando. Até hoje não faço ideia do que foi falado ali. E o que me importa, é que depois disso seguimos e chegamos de madrugada na base. Todos exaustos, vamos dormir?
 
Nada disso. A gente queria ver o lago de lava desesperadamente e saímos alguns minutos depois rumo ao topo do vulcão.
 
Chegamos lá cerca de 3:30h. Nunca vou esquecer quando bati meus olhos pela primeira vez naquele lago de lava. Nunca. E não tem palavras que eu possa falar aqui pra descrever tampouco.
 
Fiquei fascinada, vidrada, pasma. Exclamei "oh my God" e perdi as palavras. Logo minha equipe me lembrou que estávamos há 20h na ativa e precisávamos dormir um pouco. Voltamos pro acampamento, na beira da cratera. Custei a dormir. Minha cabeça não conseguia desligar.
 
Cochilei 1 ou 2 horas e já era hora do café pois a gente só poderia sair pra buscar os pontos de ancoragem bem cedo ou quando o sol se pusesse. O calor era desumano.
 
Demoramos uns 3 dias só pra encontramos 2 pontos que sustentassem a ancoragem, enquanto nos adaptávamos a um dos pontos mais quentes da Terra. Não dava pra respirar e trabalhar na beira da cratera sem a máscara. Os gases, muito tóxicos, queimavam as vias aéreas e dificultavam a comunicação.
Mas o maior risco que eu corria nem imaginava que não tinha nada a ver com o vulcão. A visita ao local exige escolta do exército local, e mesmo assim os riscos são grandes.  Em 2012, cinco turistas foram mortos e dois sequestrados nessa região. Assim que chegamos lá, na mesma semana um turista alemão morreu com uma bala perdida na cabeça.  


Enfim, foi uma aventura e tanto. Daquelas dignas de Guinness Book. E apesar de não termos ido com esse propósito, mais de 2 anos depois o reconhecimento chegou. E, ao ter chegado no mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher, eu quero que ele acenda aquela esperança dentro de cada mulher - de que ela é capaz do que ela quiser! De que tudo é possível e de que vale a pena correr atrás dos seus sonhos, por mais impossíveis que eles pareçam.
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