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Cruzando as Américas de Ponta a Ponta

Cruzando as Américas de Ponta a Ponta

Viagens

Até 2017, eu, Eder Bomcompagni, era um servidor público militar, servindo no Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo já por 12 anos. Contrariando as aspirações de muitas pessoas pela tão sonhada estabilidade empregatícia, me vi estagnado e com vontade de voar mais alto, mas como tudo, qualquer mudança demanda sacrifícios e, apesar de amar a profissão de Bombeiro, resolvi me enveredar pelo mundo do motociclismo, fazer disso meu ganha-pão, e tentar colher os frutos de uma maneira peculiar, ensinando pessoas sobre técnicas de pilotagem, primeiros socorros e o que fazer em panes mecânicas em uma motocicleta durante uma longa viagem.


Como toda situação pioneira, a formação é adaptada de técnicas de outras ciências e empirismo naquilo que se é proposto. Técnica eu tinha bastante, mas achava que apesar de ter viajado bastante de motocicleta, inclusive por vários países da América do Sul (até aquele momento), se fazia necessário o aprendizado em outros continentes e países de idiomas menos habituais, me colocando em situações mais complexas, assim decidi dar a volta ao mundo, buscando alguns feitos que ainda não tinham sido atingidos por nenhum motociclista até aquele momento.
 
A viagem começou em Americana – SP, cidade onde vivo atualmente, passando pelo sul do país e em busca do ponto mais ao sul do continente americano possível de se chegar em um veículo terrestre, e se você pensou na cidade argentina de Ushuaia(embora eu tenha ido lá duas vezes), sinto muito mas você errou. A cidade mais austral do mundo se chama Puerto Williams, a capital da Antártida Chilena, do outro lado do canal de Beagle. Pois bem, ao chegar em Puerto Williams, me tornei o primeiro motociclista brasileiro a chegar em Puerto Williams com motocicleta, pois as pessoas até chegam a Ushuaia, mas quando precisam atravessar o canal de beagle, por não haver um ferry entre a Argentina e o Chile neste ponto, apenas vão em barco, mas sem a moto, sendo por este pequeno capricho, a possibilidade, ainda que tardia, dessa conquista.

 
Puerto Williams é uma cidadezinha em formação, com as ruas sendo asfaltadas e com a última nativa Yagan viva, vivendo numa aldeia ali próxima; a natureza muito preservada e os imponentes Dentes de Navarino, uma formação montanhosa muito linda e famosa no mundo do trekking.
 
Após conquistar o ponto mais austral, me dirigi rumo ao extremo norte. Passando por paisagens fantásticas na América do Sul, através de glaciares, cadeias de montanhas, atravessando desertos e selvas, “disfrutando”de terremotos e enchentes, foi o momento de atravessar para a América Central, que apesar de haver uma ligação por terra, não há estradas, forçando escolher meios aéreos ou marítimos para a travessia; eu fui de barco, uma baita aventura pelo mar do caribe que renderia um texto a parte só para isso!
 
Chegando na América Central, conhecendo as nuances dos povos daquela região, passando por ruínas Maias, por países esquecidos de língua inglesa, vulcões em erupção e chegando até a América do Norte, atravessando o México, conhecendo a divertidíssima população e riqueza histórica daquele país, seja de antes ou depois da colonização europeia. Chegando aos USA descobrindo a magnitude da nação mais poderosa do planeta, com suas construções e belezas naturais, como o Grand Canyon, Represa Hoover, no Death Valley houve até um avião de caça em treinamento fazendo um rasante por cima de mim, que loucura!


 
Chegando ao Canadá, um país muito grande, muito frio e com pouca gente. Pilotando a moto por temperaturas ambiente entre 3 e -2Graus Celsius por uns 20 dias, vendo uma infinidade de animais, tais como: ursos negros e pardos, veados, alces, raposas do ártico, lagos ainda congelados pela recém iniciada primavera.
 
O objetivo daquele trecho estava quase por ser alcançado, pois eu havia cruzado a última fronteira, o estado do Alaska! Aliás foi um dia bastante emotivo, pois foi no dia do aniversário da morte do grande Ayrton Senna, cujo capacete me empresta quase a reprodução em sua totalidade. Faltava pouco, mas era ainda um grande desafio. Ainda estava muito cedo para a temporada das motos em Prudhoe Bay, o último ponto do norte das Américas possível de chegar em um veículo terrestre, além disso, faltava percorrer toda a extensão da temida Dalton Highway, uma estrada que demanda um certo grau de técnica pois engloba vários tipos de riscos, desde ventos laterais fortes, falta de combustível (nessa época do ano só há combustível a cada 400km), frio polar, animais de grande porte e falta de hospedagens regulares e sinais de comunicação (ainda bem que eu estava com meu SPOT Gen3). Na parada intermediária entre Fairbanks e Prudhoe Bay, em Coldfoot, a temperatura a noite chegou a -17graus Celsius, o que fez o Atigun Pass, o maior passo de montanha da Dalton Hwy congelar o solo. Faltando 200km para eu chegar no topo das Américas, uma estrada totalmente congelada, em um ponto de avalanche a -9°C me impedia de prosseguir, estava ficando sem alternativas, a sensação térmica durante a pilotagem em relação a velocidade pode chegar a -50°C. Mas por obra do destino, um trator limpador de neve apareceu e limpou uma parte do gelo da estrada, possibilitando a continuação. Chegando em Prudhoe Bay, me dirigi diretamente a placa da General Store, para a tão sonhada foto, onde me tornei o primeiro motociclista do mundo a cruzar as Américas de seus pontos realmente mais extremos possíveis em uma motocicleta. De quebra, ainda fui o primeiro motociclista da temporada do ano de 2019 a chegar em Prudhoe Bay!


 
Foi difícil, mas muitas situações foram favoráveis durante esta epopeia, que não parou por ai, pois segui ainda para outras partes dos USA e Canadá e fui rodar na Europa, mas isso já é outra história...
 


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